Benefícios do exercício físico sobre a resistência a insulina

A obesidade é uma consequência da interação entre diversos fatores, dentre eles fatores genéticos, metabólicos e comportamentais (consumo calórico excessivo) e essa multicausalidade dificulta seu tratamento. Atualmente, o tratamento da obesidade baseia-se na terapia farmacológica, psicológica, nutricional, cirúrgica e prática de exercícios físicos (BODEN, 2011). Está claramente estabelecida na literatura a relação entre a prática de exercícios e qualidade de vida sendo que o sedentarismo contribui para o desenvolvimento de diversos quadros que são comuns nos dias de hoje como, por exemplo, a resistência à insulina. O objetivo do exercício físico é recuperar a saúde, garantindo ao indivíduo a melhora da qualidade de vida por meio da perda gradativa de peso e reversão das alterações metabólicas e hormonais (HAYASHI et al., 1997; FALLON et al., 2001) sendo que diversas pesquisas vêm apontando seu efeito anti-inflamatório (SUDI et al., 2001; KARACABEY, 2005). Diante disso, a prática de atividade física é considerada um importante fator de tratamento e prevenção da resistência a insulina e consequentemente do diabetes mellitus tipo 2.  As primeiras evidências do efeito favorável do processo de contração muscular na captação da glicose surgiram em 1887, quando Chauveau e Kaufman (1887) relataram a redução dos níveis de glicose proveniente da musculatura de masseter de cavalos durante a mastigação. Em 1924, foi demonstrado por Burn e Dale que a insulina tem o mesmo efeito do exercício na indução de captação de glicose pelos músculos. Estes estudos originaram uma série de investigações com o objetivo de esclarecer a possível interação entre a ação da insulina e exercício na regulação da homeostase de glicose. Em 1970, Bjorntorp e colaboradores demonstraram que mulheres com hiperinsulinemia associada à obesidade apresentaram diminuição dos níveis de insulina no plasma após 6 semanas de exercícios físicos. Tais descobertas sugeriram que o exercício regular aumenta a sensibilidade à insulina no músculo e em outros tecidos, dados que foram confirmados uma década depois por Mondon et al., 1980.

O papel anti-inflamatório do exercício físico tem sido amplamente relatado, com foco nas significativas alterações moleculares, onde diversos estudos mostraram que exercícios físicos aeróbicos melhoram a sensibilidade à insulina, aumentando a fosforilação de moléculas conhecidas como IRS-1 e IRS-2 (substratos do receptor da insulina 1/2) bem como a associação dessas proteínas com a PI3K, elevando os efeitos fisiológicos finais da insulina (PAULI et al., 2008; SCHENK E HOROWITZ, 2007; TERAN-GARCIA et al., 2005; LUCIANO et al., 2002; BACKER  et al., 1992). Outros estudos recentes examinaram os efeitos do exercício sobre a sinalização inflamatória e relataram que o exercício suprime a produção da citocina TNF-α em camundongos (KELLER et al., 2004; STENSBERG et al., 2003). O TNF-α além de promover a ativação da via pró-infamatória IKK/IκB/NF-κB, aumenta a liberação de ácidos graxos livres pelos adipócitos, inibe a síntese de adiponectina e ainda aumenta a fosforilação em serina de moléculas importantes da via da insulina, levando a uma menor captação de glicose aumentando consequentemente a gliconeogênese promovendo a resistência ao hormônio insulina (BARBEAU et al., 2002). Portanto motivos não faltam para a prática de exercícios físicos regulares, além de promover a perda de peso como citado anteriormente, previne o surgimento da resistência à insulina diminuindo o risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2. Mas não se esqueça, antes de iniciar qualquer atividade física consulte um educador físico.

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FONTE: www.proximus.com.br

Autora: Thais Fernandes – Nutricionista/Pesquisadora  do Laboratório de fisiologia e bioquímica do exercício (LAFIBE).

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Sobre resistpts

Sou Personal Trainer. Especialista em Treinamento Individual e Qualidade de Vida- PUC/PR e Fisiologia do Exercício - UFPR.
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